Infiltrações em sistemas impermeabilizantes com mantas asfálticas.

Problemas com infiltrações? Quem não se sente desconfortável em presenciar ou residir em locais onde há infiltração de água? Além da insatisfação habitacional e visual causada pelo constante gotejamento, existe o fato de que a água em contato direto com os sistemas construtivos (estrutura, alvenaria, revestimento argamassado, revestimento cerâmico, forro, pintura, etc.) causa deterioração precoce, ou seja, ocorre a diminuição da vida útil, bem como a desvalorização do imóvel.

Obviamente que quando nos deparamos com problemas relacionados à infiltração, logo vem à mente a necessidade de se executar a impermeabilização ou realizar reparos na impermeabilização existente, no entanto, mexer com o sistema impermeabilizante pode causar muitos transtornos, pois o sistema na maioria das vezes é aplicado em camadas que ficam sob o revestimento cerâmico e contra piso, sendo necessário realizar grandes reformas.

Durante anos de experiência adquiridos através de estudos, pesquisas, trocas de conhecimento e vivência nos canteiros de obra, ficou constatado que as infiltrações ocorrem com muita freqüência em decorrência de falhas na aplicação, sendo estas falhas causadas pela falta de conhecimento técnico das empresas especializadas (aplicadores) que em algumas ocasiões não seguem as especificações técnicas dos materiais, não interpretam tecnicamente os detalhes de projeto e não capacitam a mão de obra.

Agora imaginem se investirmos dinheiro para reformar ou construir, visando mitigar os problemas relacionados às infiltrações e após a conclusão dos serviços nos surpreendermos com as falhas de execução? Isso sem contar com os transtornos e atrasos que ocorrem em uma obra não é verdade, pois bem, visando melhorar continuamente a construção civil, bem como a satisfação dos clientes, listamos abaixo o passo a passo para a execução do sistema impermeabilizante com mantas asfálticas e também alguns cuidados necessários a serem tomados durante a execução.

 

PASSO A PASSO PARA A EXECUÇÃO DO SISTEMA IMPERMEABILIZANTE COM MANTAS ASFÁLTICAS

Preparação da base

Estrutura: Os elementos estruturais que apresentam bicheiras, lascas de madeira, nata de cimento, prego e etc. devem ser tratados adequadamente. O desmoldante utilizado para facilitar a desforma da estrutura cria uma película sobre a superfície do concreto, fechando os poros do mesmo e impedindo a penetração do primer (ponte de aderência entre a estrutura e manta asfáltica), para realizar a remoção do desmoldante basta escovar a estrutura com escova com cerdas de nylon e lavar a estrutura com lavadora de alta pressão.

Alvenaria: Os blocos devem ser assentados com as juntas verticais e horizontais totalmente preenchidas. Os nichos (vãos deixados para embutimentos de eletrodutos e caixas de luminária e ou elétrica) devem ter sido previstos nas alvenarias.

Hidráulica: Os ralos e tubulações emergentes devem ser corretamente chumbados na laje, com a utilização de graute. Quando o projeto especifica os ralos com 100mm de diâmetro é recomendável chumbar os mesmo com 150mm de diâmetro, pois o sistema impermeabilizante com manta asfáltica é reforçado na respectiva região causando a diminuição do diâmetro, em conseqüência a vazão de trabalho.

Regularização da base

Caimento: De forma a evitar o acumulo de água sobre o sistema impermeabilizante, sendo este causador de infiltrações e carbonatação nos revestimentos de piso, é imprescindível que a regularização seja executada com o caimento direcionado para os ralos, conforme preconizam as normas ABNT NBR 9574 e 9575.

Espessura: A espessura mínima da argamassa de regularização deve ser de 2 cm, pois caso seja inferior, não haverá coesão entre as partículas dos materiais constituintes, sendo local vulnerável para o descolamento da manta asfáltica através das solicitações mecânicas.

Traço da argamassa: O traço utilizado no preparo da argamassa de regularização merece atenção, se o mesmo for preparado em proporções inadequadas, ou seja, for um traço forte ou fraco causará o desprendimento da manta asfáltica, e conseqüentemente surgirão infiltrações.

Descolamento da manta asfáltica devido ao desprendimento

Descolamento da manta asfáltica devido ao desprendimento

  • Traço forte: Caso a argamassa de regularização seja preparada com traço de 1:2 (cimento : areia), a superfície da regularização se tornará pouco porosa, desta forma, o primer quando aplicado não adentra os poros da regularização, fazendo com que o conjunto primer e manta asfáltica se desprendam da base ao longo da vida útil, através das movimentações da estrutura, solicitações mecânicas e diferenças de dilatação térmica entre os diferentes materiais.
  • Traço fraco: Caso a argamassa de regularização seja preparada com traço de 1:5 ou 1:6 (cimento : areia), a superfície da regularização se tornará pulverulenta, ou seja, pouco resistente, desta forma a camada superficial da regularização, primer e manta asfáltica se desprenderão através das movimentações da estrutura, solicitações mecânicas e dilatação térmica entre os diferentes materiais.

Rebaixo na região dos ralos: Como o ralo é um ponto crítico, é necessário realizar reforço com manta asfáltica na respectiva região, desta forma a camada do sistema impermeabilizante fica muito mais espessa quando comparado aos demais trechos. Para que não se crie uma lamina de água ao redor dos ralos, podendo gerar infiltrações na região dos ralos e formação de carbonatação nos revestimentos de piso, deve-se prever rebaixo na região dos ralos, neste trecho não há necessidade de executar a regularização.

 

Aplicação da Manta Asfáltica

Aplicação de Primer

Aplicação de Primer

Aplicação do primer: O primer deve ser aplicado após a cura da regularização, sendo que esta deve apresentar-se totalmente seca, isenta de poeira, óleo ou qualquer outro material que possa impedir a adequada aderência. É recomendável que o primer seja aplicado um dia antes da colagem da manta asfáltica, pois, se for aplicado muitos dias antes da colagem, ocorrerá a deposição de sujeira, bem como a deterioração através da passagem de operários, materiais e execução de outras atividades.

 

Importante: O primer aplicado não pode receber outra demão para corrigir imperfeições causadas pela deterioração, a segunda camada de primer não adere a primeira.

 

Asfalto oxidado: No mercado há uma variedade de asfaltos oxidados que são utilizados na aplicação das mantas. Nas embalagens dos mesmos está descrito a temperatura máxima ao qual o material deve ser “derretido”, de forma a agilizar os trabalhos, bem como facilitar a aplicação. É comum os asfaltos serem “derretidos” em temperaturas muito superiores as recomendadas, no entanto, ao proceder desta forma, os componentes químicos do material são corrompidos, ou seja, perdem a função para qual foram especificados, diminuindo consideravelmente a vida útil do sistema impermeabilizante, por tanto é imprescindível que as instruções descritas nas embalagens sejam sempre respeitadas.

Colagem da primeira manta asfáltica

Colagem da primeira manta asfáltica (região do ralo)

Pontos Críticos: É importante que a aplicação da manta asfáltica seja iniciada pelos ralos, tubos emergentes, juntas de dilatação, cantos e quinas de pilares e alvenarias, pois estes necessitam de reforços, além de fiscalização constante.

Sobreposição: Antes de iniciar a colagem das mantas, é importante que as mesmas sejam posicionadas e alinhadas corretamente. A primeira manta a ser colada sempre fica localizada na região dos ralos, posteriormente são coladas as que ficam sobrepostas a primeira, desta forma garante-se a correta sobreposição das mantas. As mantas devem ser sobrepostas em 10 cm e após a colagem, as sobreposições devem ser biseladas.

Teste de estanqueidade: Após a impermeabilização, a área deve ser testada com lâmina d’água de no mínimo 10 cm, por 3 dias (72 horas), no mínimo.

Teste de estanqueidade

Teste de estanqueidade.

 

Proteção Mecânica

Camada separadora: De forma a evitar que os esforços de dilatação e contração da argamassa de proteção atuem diretamente sobre a impermeabilização, garantindo o desempenho e vida útil do sistema impermeabilizante é recomendável utilizar Papel Kraft ou filme plástico de 24 micra de espessura sobre a manta asfáltica.

Proteção mecânica horizontal: Antes de iniciar a argamassa de proteção mecânica, é necessário realizar o fechamento dos ralos, evitando obstruções. Sobre a camada separadora executar argamassa de proteção mecânica no traço 1:3 ou 1:4 (cimento : areia), desempenada com espessura mínima de 3 cm. Recomenda-se que a proteção mecânica seja executada em placas de 1,5×1,5 cm, sendo que as juntas entre as mesmas e as perimetrais tenham 2 cm de largura e que sejam preenchidas com argamassa betuminosa, ou seja, cimento, areia e emulsão asfáltica.

Proteção mecânica vertical: Sobre a manta asfáltica, executar chapisco fechado no traço 1:3 (cimento : areia média ou média grossa), após a cura do chapisco proceder com a execução da argamassa de revestimento. A argamassa deve ser armada com tela plástica, a mesma deve ser posicionada no meio da camada de argamassa.

Importante: A função da tela plástica é absorver as tensões de tração causadas na argamassa de revestimento, sendo essas tensões causadas pela dilatação e contração térmica da manta asfáltica.

NOTA 01: Durante todo processo de execução da manta asfáltica é imprescindível que sejam utilizados os EPI’s (equipamentos de proteção individual).

NOTA 02: A impermeabilização deve atender o disposto nas normas ABNT NBR 9575 – Impermeabilização – Seleção e Projeto; ABNT NBR 9574 – Execução de Impermeabilização; ABNT NBR 9952 – Manta Asfáltica para impermeabilização; e ABNT NBR 9910 – Asfalto para impermeabilização.

Autor: Hangar Engenharia e Perícias
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